segunda-feira, 31 de maio de 2010

Huto II (Márcio)

O sushiman Cassio Hara não trabalha mais no Huto. Em seu lugar foi contratado um ex integrante do balcão do Shin-Zushi, Lucas. Que trouxe consigo algumas características do local. 
Na minha visita, o niguirizushi veio com um formato bem parecido. O corte do peixe, antes mais comprido e espesso, agora está mais fino e mais moldado ao shari (arroz do sushi). A marca do arroz também mudou, mas meu paladar ainda não chegou ao nível de perceber a diferença. 
Contudo, as semelhanças com o Shin-Zushi param por aí. O tempero do shari e as variedades de sushi continuam seguindo a mesma linha. Enquanto no Shin-Zushi o tempero é suave para o salgado e predominam versões mais tradicionais de sushi, no Huto o tempero é mais para o doce e há mais variedades para o lado "moderno", como os niguirizushis de atum com azeite trufado ou com foie gras.
O preço também continua o mesmo, quase metade do Shin-Zushi.

Obs: No excelente Shin-Zushi nada muda. O balcão continua comandado por Ryoichi Yamashita.


Huto
Av. Jandira 677 Moema
http://www.hutorestaurante.com.br/

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Marcel II (Márcio)

Já falei antes sobre o Marcel (aqui) e sua cozinha sempre muito regular. Mantendo a qualidade até nos dias insanos do Restaurant Week. Pois então, dessa vez não foi diferente.
A casa estava cheia e o serviço simpático. Só uma coisa me irrita no serviço de lá: a maneira que servem a água. Não deixam a garrafa na mesa, colocam em uma mesa ao lado e vão servindo e repondo sem avisar. O método pode até ser "fino", mas não me agrada.


Dessa vez, vou apenas destacar dois pratos:


Coxinhas de rã, leve creme de alho e azeite de cebolinha francesa (R$ 29,0) - Nunca havia provado carne de rã. É bem parecida com frango, com uma textura um pouco mais elástica e mais suculenta (pelo menos essa que eu comi, é claro). O creme de alho era realmente leve, como dizia o cardápio. Diria ser uma entrada meio sem graça e cara. Valeu a experiência, mas não pediria novamente.
Atualização: Depois de ter escrito esse post, achei uma matéria do Paladar com depoimentos de vários jurados sobre esse prato específico. É interessante a diversidade de opiniões. Veja aqui.
Pargo à flor de sal, tomates frescos, amêndoas e aspargos salteados (R$55,0) - Perfeição! Salivo só de olhar a foto enquanto escrevo. Ótimo azeite e melhor ainda a combinação do suave sabor do pargo com o tomate e as amêndoas. O ponto do peixe estava ótimo.


Foi devorado também um Suflê de espinafre e gruyere (R$39,0 grande), que estava daquele jeito que eu sempre tento reproduzir em casa e nunca não consigo.

Marcel Restaurante
Rua Consolação, 3555
(11) 3064-3089

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Uo Katsu (Márcio)

Já há um bom tempo, o Uo Katsu deixou de lado o comércio de peixes, era uma peixaria, e se concentrou somente em atender os fiéis comensais, muito mais lucrativos.
Classificaria ele como um fast food de comida japonesa de bom custo-benefício, no qual a praticidade (custo) está acima da qualidade (benefício).
Como alternativa para um almoço japonês de dia de semana é uma boa e barata opção, frente a tantos rodízios horríveis que se espalham pela cidade. Contudo, se for levada à sério, diria que falta, à comida, cuidado no preparo e principalmente mais qualidade no shari (arroz do sushi).

Niguirizushis de Atum (R$4,0 unid), Salmão (R$3,8 unid), Buri e Polvo (R$4,6 unid) e Anchova Negra Defumada (R$4,0 unid) - A qualidade e corte dos peixes é acima da média, até dá para notar pela foto. Não diria que é ótima, mas diante do preço cobrado está de muito bom tamanho. Já o ponto baixo fica por conta do arroz, puxado para o doce, normalmente vem passado do ponto de cozimento e amassado demais.
Niguirizushi de pele de salmão (R$ 3,8 unid "não tenho certeza") - Devo confessar que sou admirador desse sushi, não muito comum pelas bandas dos restaurantes japoneses tradicionais e/ou metidos. O "salmão skin" do Uo Katsu é muito bom, pois vem ainda quente e com uma parte da carne do salmão!
Obs: É claro que o arroz tem os mesmos pontos negativos dos outros niguirizushis. 
Sashimi de de torô (barriga) de atum (R20,0-100g) , buri (R$10,0-100g) e pargo (R$9,0-100g) - Ainda com resquícios da peixaria, o sashimi de lá  é pedido por peso. 100 gramas são 10 fatias.
Os sashimis de torô (cor de rosa do fundo da foto) com certeza não serão os melhores que você já provou, mas valem o preço. O ponto fraco foi o de pargo, fibroso e com aquele gosto de peixe não muito fresco.
Lula Grelhada - Lula e Guessô (perninhas) (R$ 40,0 kg) - Para mim, essas são as novidades do cardápio. As porções da foto são 100 gramas cada. Achei ótima a idéia de grelhar as lulas frescas apenas com sal. Mas estas estavam bem borrachudas! Talvez seja falta de sorte.

Há também uma série de uramakis, hossomakis de acelga, camarão, spice tuna etc. vendidos em porções de 8. E é nesses pratos que fica evidente a falta de cuidado dos itamae-san. Esses sushis são feitos com antecedência e ficam esperando os pedidos serem realizados, igual aos lanches do Mac Donald's. 
Por exemplo esse uramaki de camarão com molho tarê ao lado. Veio com arroz demais e foi bem mal feito.
É claro que alguns vão pensar que isso é pura frescura. Pode até ser... Mas quem considera a apresentação um aspecto importante, não ficará feliz ao receber esses pratos.
Vale pedi-los se quer "forrar" a barriga de um jeito barato, antes de ir para os sashimis.

Apesar dos comentários acima, volto a frisar que se trata de um restaurante de bom custo-benefício, principalmente quando comparado com a grande maiora dos rodízios e temakerias de comida japonesa.

Uo Katsu (abre somente no almoço de seg a sab)
Tel: (11) 3051-5855
R. Manoel da Nóbrega, 1180, Paraíso
São Paulo - SP

terça-feira, 4 de maio de 2010

Batataria Santa Clara (Victor)

Valor da Conta: R$ 99,00 = 2 batatas pequenas + 1 bruschetta + 2 cervejas 600 ml.
Faz algum tempo que me recomendaram a Batataria Santa Clara, tanto pelo ambiente quanto pela comida.
De prato principal você só vai encontrar batatas, mas bem diferente do estilo "Baked Potato". São finas fatias de batatas que cobrem o recheio...não sei bem explicar. Segundo o site é uma variação da "Batatas Rösti". Acompanhando as batatas, sempre uma porçãozinha de salada.
Mas para mim, o que valeu mesmo em termos gastronômicos foi a bruschetta, uma delícia.
A Bruschetta de Cogumelos Shimeji, shitake, paris e queijo brie foi campeã !!! Todos os cogumelos bem cozidos e macios, e uma fatia de queijo brie levemente derretida e dourada.
A porção é bem generosa! Para 2 duas pessoas, 1 Bruschetta e 1 batata são o suficentes.
Seguem as fotos dos pratos:

Outro ponto importante da Batataria Santa Clara é o ambiente...proprício para casais, sendo que de sexta a domingo possui música ao vivo, voltada à MPB.

Destaco também essa pequena esquina da Rua Áurea com a Joaquim Távora na Vila Mariana. Existem diversos bares e restaurantes interessantes pela região. Segue uma lista de lugares onde pretendo ir:
1) Sorveteria Frutos do Cerrado: sorvetes de sabores exóticos como de Jaca, Jatobá, Cupuaçu, Araça, Ariticum, Mamacadela...não conheço metade deles, mas fico com muita vontade de prova-los.
2) Restaurante Sobaria:  receita típicas do Mato Grosso do Sul. Algumas pessoas já me indicaram, e iriei visitar em breve.
3) Pizzaria Vila Milagro: bem, pizza não é bem o meu forte mas de acordo com minha noiva, é a melhor pizza de chocolate do mundo. Então, a curiosidade fica.

Abraços

Batataria Santa Clara
Rua Áurea, 361

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Kidoairaku II (Márcio)

Considero o Kidoairaku um exemplo clássico da liberdade. Aquele indecifrável ambiente de boteco familiar com uma ótima e equilibrada cozinha nipônica à preços justos.
Na entrada você é sempre recebido pela "hostess" (batian) da casa, sentada em uma cama assistindo novelas japonesas (1). Hã?! Confuso com a peculiar recepção, ao se acomodar, se não souber ler em japonês, é provavel que fique ainda mais perdido ao notar os dois cardápios do restaurante, o tradicional e o da parede.
(1). O restaurante é também a "casa" da família, que fica anexa ao local.
Além desse "charme", na maioria das vezes o serviço é atencioso e a cozinha é muito equilibrada e constante.
Não há mais o que falar de um restaurante já tão consagrado pelo mundo dos blogs. Me impressionei com o número de posts sobre o Kidoairaku. Experimenta escrever no google para ver! Todos falando muito bem.
Separei um post com informações interessantes sobre o restaurante- Adega de Sakê.
Seguem alguns dos pratos que já provei por lá:
- Porco e beringela no missô - Reconfortante. Tudo em seu devido lugar, carne macia, beringela firme no ponto e missô suave. Uma delícia. Peça o prato no "modo" Teishoku para vir acompanhado do ótimo arroz e pronto! Não precisa de mais nada para ser feliz.
- Oyakodon - Uma tijela com arroz, frango, ovo, cebolinha, nori e caldo. Estava muito bom. Neste link há uma ótima receita deste prato, que eu sempre uso quando faço em casa. 
- Sashimi - Este é um restaurante para se aproveitar a cozinha quente, mas foi esse Uni da foto que me fez colocar de vez essa iguaria na minha lista dos preferidos. Até então eu não ligava muito para ele.
- Sobá - O tradicional macarrão de trigo sarraceno. Ótimo, suave e apresentação impecável. O ovo de codorna deve ser misturado ao caldo, feito de dashi e shoyu e outros ingredientes.
Enfim,
Poderia ficar aqui falando do Udon, da beringela com missô, do soba quente, da carne crua fatiada, gelatina de café. Tudo sempre muito bom, mas acho que vale mais à pena postar dois pratos, os únicos até agora, que eu não gostei:
- Yamakake - Atum e cará ralado com ovo. Nunca tinha comido antes, então não saberia dizer se estava bem feita, mas dado pelo histórico dos outros pratos, deveria estar. O Atum estava muito bom e fresco, mas a mistura não me agradou. Sempre que eu como um prato com um bom atum no meio, fico pensando que seria melhor comê-lo sozinho.
- Taça de Sorvete - Não me lembro do nome da sobremesa, mas a única coisa que tinha de natural era a banana, o resto era tudo industrializado. Doce demais!
Metas
Devem ter mais de 20 bons pratos para provar lá, devendo render ainda uns 5 anos até eu conhecer bem o restaurante. Os próximos da minha lista são o Butanokakuni (barriga de porco no caldo), que eu sempre tentei pedir e nunca consegui comer, o pregonomissozukeyaki (prego no missô) e o komotishishamo (peixe "shishamo" frito com ovas).
Os preços dos pratos variam de R$15 a R$30, ou seja, dificilmente você gasta mais que R$60,0 por pessoa.
Vá lá! Mas antes, preste atenção aos horários para não ter nenhuma surpresa:

  •   Almoço - 11:30 às 14:00

  • Jantar - 2ª a 6ª 18h30-22h30 e sáb 18h30-21h30

  • Não abre domingo 
KIDOAIRAKU
R. São Joaquim, 394
Tel: (11) 3207-8569

domingo, 18 de abril de 2010

Dois II (Márcio)

A minha primeira visita ao Dois Cozinha Contemporânea foi na última edição do Restaurante Week (veja o post aqui). Fiquei instigado por dois principais motivos 
  • Criatividade dos chefes Felipe e Gabriel, tanto no menu servido naquele dia quanto nas descrições dos outros pratos do cardápio.
  • Destaque dos ingredientes brasileiros no menu. No RW constavam pratos com pequi, cupuaçu,  doce de abóbora e goiabada.
Foram esses fatores que me fizeram voltar ao restaurante, só que dessa vez, aproveitando uma ocasião especial e pessoal, optei pelo menu degustação de 7 tempos (3 entradas + 2 principais + 2 sobremesas), R$140,00.
Enfim, a instigação se confirmou: o atendimento foi excelente, e, apesar de nenhum prato ter me deixado em puro êxtase, a experiência foi ótima. 

Ao que interessa:
1a Entrada - Ravioli de Palmito Pupunha com Cogumelos, Brotos diversos e Espuma de pupunha - Os 3 pingos entre os brotos são, da esquerda para direita, azeite de ciboullete (ótimo), azeite normal e azeite de urucum.
Prato belíssimo e interessante. Muito dificil de avaliá-lo sem ter outros parâmetros.
O destaque ficou por conta da flor de jambu (a primeira da direita). O gosto é perfumado e aos poucos uma incrível sensação de "apimentado-pinicante" vai tomando conta da língua. 
Só não entendi o papel da espuma de palmito pupunha. Não tinha gosto e, na minha opinião, se ausente deixaria o prato ainda mais bonito. 
2a entrada - Beringela na brasa com tahine, mel, sementes de tomate e ervas - Estava deliciosa. Foi perceptível o papel de cada ingrediente: a acidez das sementes de tomate, o doce do mel, o tempero da salsinha e o amargo da casca da beringela, além da própria beringela, é claro. O único que não mostrou a que veio foi o tahine, que se escondeu no doce do mel.
3a entrada - Tartar de Buri (Olho de Boi) com chantilly de mostarda dijon, ovas de Salmão e grissini de tinta de lula - Melhor entrada da noite! Buri fresco, temperado pelo suave chantilly (lembrou maionese) e salgado pelas ovas.

1° Principal - Camarão grelhado com pure de palmito pupunha, emulsão de coral e azeite de carvão - O destaque é o azeite de carvão, sensacional! Segundo o chefe, e para meu espanto, é preparado com uma brasa de carvão, que em contato com o azeite dá um sabor defumado. Os camarões estavam no ponto e a emulsão de coral (feito com  azeite e o líquido que sai da cabeça do camarão) muito saborosa.
O único ponto negativo foi o pure, que a meu ver, precisava estar mais suave. Talvez com menos sal, não sei.
2° Principal - Rabada desfiada, brotos de agrião, cogumelos e azeite texturizado de zimbro - Outro prato muito interessante. O processo para se degustar é pegar a rabada, que vem em uma bonita cerâmica, e colocar em cima da "ricota" que está ao centro. Ao entrar em contato, a "ricota" começa a derreter e se transformar no azeite de zimbro. 
Tudo que estava no prato fez muito sentido, só a rabada que podia estar um pouco mais macia (comparando com as minha referências do Bar da Dona Onça e do meu sogro).

Para limpar o paladar o chefe serviu 3 "chup-chup", que eram sucos de siriguela, pitanga e araça.
1a Sobremesa - Variação de licuri e pure de cajá manga - Esqueci completamente de tirar foto desta sobremesa, composta de licuri em 3 fases: sorvete, telha e o prório fruto seco, doce e salgado. 
Não gostei muito do sorvete, que estava com um gosto de água azeda. O restante estava ótimo.
2a Sobremesa - Harumaki de chocolate, compota de laranja e sorvete de baunilha - Perfeita! Ótima maneira de terminar o jantar.

É um menu supreendente, muito criativo, que não esquece de valorizar os ingredientes nacionais, como flor de jambu, zimbro, licuri e cajá manga. Alguns poucos pontos poderiam ter sido melhores nesse jantar, mas a experiência vale muito a pena. 

Dois Cozinha Contemporânea
Rua Antônio Bicudo 116, Pinheiros.