domingo, 18 de abril de 2010

Dois II (Márcio)

A minha primeira visita ao Dois Cozinha Contemporânea foi na última edição do Restaurante Week (veja o post aqui). Fiquei instigado por dois principais motivos 
  • Criatividade dos chefes Felipe e Gabriel, tanto no menu servido naquele dia quanto nas descrições dos outros pratos do cardápio.
  • Destaque dos ingredientes brasileiros no menu. No RW constavam pratos com pequi, cupuaçu,  doce de abóbora e goiabada.
Foram esses fatores que me fizeram voltar ao restaurante, só que dessa vez, aproveitando uma ocasião especial e pessoal, optei pelo menu degustação de 7 tempos (3 entradas + 2 principais + 2 sobremesas), R$140,00.
Enfim, a instigação se confirmou: o atendimento foi excelente, e, apesar de nenhum prato ter me deixado em puro êxtase, a experiência foi ótima. 

Ao que interessa:
1a Entrada - Ravioli de Palmito Pupunha com Cogumelos, Brotos diversos e Espuma de pupunha - Os 3 pingos entre os brotos são, da esquerda para direita, azeite de ciboullete (ótimo), azeite normal e azeite de urucum.
Prato belíssimo e interessante. Muito dificil de avaliá-lo sem ter outros parâmetros.
O destaque ficou por conta da flor de jambu (a primeira da direita). O gosto é perfumado e aos poucos uma incrível sensação de "apimentado-pinicante" vai tomando conta da língua. 
Só não entendi o papel da espuma de palmito pupunha. Não tinha gosto e, na minha opinião, se ausente deixaria o prato ainda mais bonito. 
2a entrada - Beringela na brasa com tahine, mel, sementes de tomate e ervas - Estava deliciosa. Foi perceptível o papel de cada ingrediente: a acidez das sementes de tomate, o doce do mel, o tempero da salsinha e o amargo da casca da beringela, além da própria beringela, é claro. O único que não mostrou a que veio foi o tahine, que se escondeu no doce do mel.
3a entrada - Tartar de Buri (Olho de Boi) com chantilly de mostarda dijon, ovas de Salmão e grissini de tinta de lula - Melhor entrada da noite! Buri fresco, temperado pelo suave chantilly (lembrou maionese) e salgado pelas ovas.

1° Principal - Camarão grelhado com pure de palmito pupunha, emulsão de coral e azeite de carvão - O destaque é o azeite de carvão, sensacional! Segundo o chefe, e para meu espanto, é preparado com uma brasa de carvão, que em contato com o azeite dá um sabor defumado. Os camarões estavam no ponto e a emulsão de coral (feito com  azeite e o líquido que sai da cabeça do camarão) muito saborosa.
O único ponto negativo foi o pure, que a meu ver, precisava estar mais suave. Talvez com menos sal, não sei.
2° Principal - Rabada desfiada, brotos de agrião, cogumelos e azeite texturizado de zimbro - Outro prato muito interessante. O processo para se degustar é pegar a rabada, que vem em uma bonita cerâmica, e colocar em cima da "ricota" que está ao centro. Ao entrar em contato, a "ricota" começa a derreter e se transformar no azeite de zimbro. 
Tudo que estava no prato fez muito sentido, só a rabada que podia estar um pouco mais macia (comparando com as minha referências do Bar da Dona Onça e do meu sogro).

Para limpar o paladar o chefe serviu 3 "chup-chup", que eram sucos de siriguela, pitanga e araça.
1a Sobremesa - Variação de licuri e pure de cajá manga - Esqueci completamente de tirar foto desta sobremesa, composta de licuri em 3 fases: sorvete, telha e o prório fruto seco, doce e salgado. 
Não gostei muito do sorvete, que estava com um gosto de água azeda. O restante estava ótimo.
2a Sobremesa - Harumaki de chocolate, compota de laranja e sorvete de baunilha - Perfeita! Ótima maneira de terminar o jantar.

É um menu supreendente, muito criativo, que não esquece de valorizar os ingredientes nacionais, como flor de jambu, zimbro, licuri e cajá manga. Alguns poucos pontos poderiam ter sido melhores nesse jantar, mas a experiência vale muito a pena. 

Dois Cozinha Contemporânea
Rua Antônio Bicudo 116, Pinheiros.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Presunto Cru e Melão (Márcio)

As vezes não é preciso muito para ser feliz:
100gr de Presunto Cru Villani e 1/2 Melão Espanhol.

Confesso que essa óbvia associação (presunto cru+melão), provada por mim pela primeira vez, não veio tão facíl. Na 1a tentativa provei os dois na mesma bocada! As texturas e gostos tão diferentes não agradaram o bruto e inexperiente paladar. 
O equilíbrio só se acertou mesmo, quando pensei no melão exercendo o mesmo papel que o gari entre os niguirizushis. Ou seja, o papel de "limpar" o paladar para sentir o sabor do presunto sempre como se fosse a primeira mordida.
Não tenho a menor idéia de como os espanhóis degustam essa combinação. Mas já encontrei um jeito de ser feliz e prático. 

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Piegari e Las Cuartetas - Buenos Aires (Victor)

Piegari
Cozinha:Italiana
Preço : O prato principal mais caro do cardápio era $166 (pesos), cerca de R$ 83,00. Serve 2 pessoas.
Serviço: Muito bom, ambiente familiar com garçons antigos na casa
Ambiente: Muito agradável. Não muito espaçoso, mas tranquilo.

Para mim, o Piegari está classificado como um dos melhores restaurantes nos 4 dias que estive em Buenos Aires, o melhor foi o Cabaña Las Lilas. Esse restaurante se situa na "La Recova", um espaço gastronômico debaixo de um viaduto, no final da Carlos Pelegrino. Achei a idéia do lugar brilhante, pois ali se reuniram uns 4 ou 5 restaurantes de alto padrão, valorizando muito o lugar. É um ótimo local para passear e tomar um café Havanna.
Provavelmente há outras Recovas em Buenos Aires, pois o taxista que nos levou ficou indeciso sobre qual Recova estavamos querendo ir.

O meu prato:


Linguine ai Fruti di Mare, que segundo o garçom, eu só comeria esse mesmo prato na Sicília, Itália. (talvez tenha sido outra cidade, não vou me comprometer) - Estava delicioso, saboroso e bem servido.

Vale ressaltar que uma porção serve 2 pessoas tranquilamente.

Restaurante Piegari
Posadas 1042
Recoleta, BAs.
Tel: 4326-9654/9430
_________________________________________________

Outro prato que me deixou muito feliz em Buenos Aires foram as empanadas no "Las Cuartetas", muito gostosas e baratíssimas. É um botecão no Centro de Buenos Aires ideal para um petisco rápido e sem muitas frescuras.
Em minha próxima viagem a Buenos Aires com certeza iriei visitar outros restaurantes no "La Recova", comer umas empanadas, e passear mais pela região de Palermo!!! Ah, e também comer menos no almoço para poder jantar melhor.

Las Cuartetas
Corrientes, Av. 838.
Centro, BAs.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Deigo (Márcio)

No melhor estilo Liberdade de ser, esse escondido restaurante é só para quem conhece muito bem o bairro ou para quem leu esse post ano passado (meu caso). 

"Deigo" é a flor simbolo da província de Okinawa. É o único restaurante especializado em cúlinária utinanchu (de Okinawa), que conheço.
Um japonês pitoresco e interessante. Os preços são justos. Minha impressão é a de que o tempero é mais pesado que o usual nipônico, mas ainda assim equilibrado.
Não se encontra o mesmo conforto da comida no ambiente do restaurante. Uma espécie de bar rústico, sem ar condicionado (se não me falhe a memória). Bem quente nesses dias de verão, um pouco desagradável.

Ou seja, não é para qualquer um!

Ao que interessa:
De entrada, fui logo pedindo Gôya Champpuru (R$10,0 a porção pequena) -  Esse exótico e feio vegetal, mais conhecido como Nigauri, é peça chave na culinária utinanchu. Veio com ovo e lascas de bonito seco.
Estava esperando aquele "amargo punk" apontado pelo Bicho, mas felizmente estava mais para soft amargo (a garçonete me informou que essa versão do prato não é tão amarga quanto o tempura). É um prato perfeito para comer tomando cerveja.
 
- "Costelas Cozido c/misso" (R$ 28,0) (conforme escrito no cardápio) - Veio desmanchando. Deliciosa! Acompanhada de bastante cebolinha. O missô não chega a ser suave como a "beringela e carne de porco no missô" do Kidoyaraku, por outro lado, não chega a tomar conta do sabor da carne. Com uma porção de arroz, dá uma ótima refeição, com sustância de sobra.

- Costela com Soba (R$ 15,0) - Leigamente falando, tá mais para um Tyashu Lamem (de costela de porco) do que para Soba. Não tem sutilezas, mas é gostoso, seguindo também a linha da sustância.

Deigo
Pça. Almeida Júnior, 25, Liberdade
Tel: (11) 3207-0317

quinta-feira, 11 de março de 2010

Brasil a Gosto - RWSP (Márcio)

A chefe Ana Luiza Trajano, apesar de jovem, já é reconhecida, pela mídia especializada, como pesquisadora especialista em gastronomia brasileira. Não por acaso, o restaurante ganhou o prêmio da Veja de melhor Brasileiro em 2006 e 2007 e a chefe ganhou o de revelação, em 2007, pelo guia quatro rodas.
Em resumo, o almoço do cardápio do RW é uma ótima oportunidade para conhecer o restaurante gastando pouco. Ou talvez, foi uma ótima oportunidade, já  que o fim do evento está próximo e o restaurante já deve estar com as reservas cheias.
Para quem perdeu, a partir da semana que vem, nos almoços de terça à sexta, passarão a servir um menu, no mesmo estilo, por R$37,50.
Cozinha: Brasileira.
Preço normal: Entrada + Prato principal + Sobremesa = R$80 - 120.
Serviço: É atencioso, porém estavam um pouco atrapalhados. Provavelmente pela lotação causada pelo RW.
Ambiente: É espaçoso e muito agradável. A bonita decoração (fotos, cerâmicas, móveis, etc) evoca a diversidade cultural brasileira.
Destaque 1: O Pitéu, como é chamado o couvert do restaurante, é passagem obrigatória! Composto de uma cesta de mandiopã, outra cesta de chips de mandioca, mandioquinha e batata doce, biscoito de polvilho, deliciosos pães variados, coalhada caseira com pesto de cheiro verde e uma ótima combinação entre manteiga aviação, baru e alho. Tudo isso por módicos R$6,00 (no almoço).
Nota: 9

Almoço:
Queijo coalho na chapa, melaço e pesto de cheiro verde - Não achei que o pesto iria combinar tão bem com o queijo.
Salada de folhas verdes, molho de coalhada e minibiscoito de polvilho - É o que parece. Bem simples, nada demais.
Tilápia rosa grelhada, purê de mandioquinha e molho de cebola - Uma delícia! Pele crocante, peixe perfeito. Apenas o molho de cebola não contribuia com o prato, estava exagerado no sal.
Arroz cateto com feijão verde, palmito pupunha e banana grelhada - Ótimo prato. Com muitas texturas diferentes, sendo que nenhum ingrediente sobressaía demais. Os vegetarianos também estão bem servidos nesse restaurante. 
Bombocado com calda de limão - Uma calda de goibada acompanhava a boa sobremesa. Praticamente um quadro de arte.
Pudim de tapioca com calda de pitanga - Achei um pouco sem graça, quase não senti o gosto da calda de pitanga.  

Brasil a Gosto
Rua Prof. Azevedo do Amaral 70, Jardins (Travessa da rua Barão de Capanema)
http://www.brasilagosto.com.br/site/

segunda-feira, 8 de março de 2010

Dois - RWSP (Márcio)

Tenho uma ótima lembrança do local onde hoje está instalado o restaurante Dois - Cozinha Contemporânea. Há cerca de 8 anos, havia um ótimo italiano nesse local, o Felici. Uma cozinha bem autoral, cujo cardápio era composto por, no máximo, 6 opções de massas e mais algumas de carnes (2 páginas ao todo). Lembro-me ter ficado encantado na primeira vez que fui, pena que durou tão pouco. Na 2a  visita o restaurante já estava fechado.

O Dois, é novo. E espero que não tenha o mesmo fim do finado Felici. Pelo menos não tão cedo. Inaugurado em 2008, tem no comando dois jovens chefes: Felipe Ribenboim e Gabriel Broide.
Conforme consta no site:
Felipe - Trabalhou na Espanha, nos restaurantes "elBulli", de Ferran Adria, e "Arzak", de Juan Mari Arzak. É estudioso da culinária Amazonense.
Gabriel - Já estagiou nos restaurantes Café Boulud e Daniel, em Nova York, e no D.O.M, com o chef Alex Atala. Trabalhou também no Emiliano, Laurent e Bistrô Jaú.

O RW é uma boa oportunidade para conhecer uma amostra do trabalho deles.

Cozinha: Brasileira com referências Judaicas
Preço normal: Entrada + Prato principal + Sobremesa = R$70 - 100.
Serviço: Discreto e correto, mas despreparado quando perguntado sobre informações dos pratos.
Destaque 1: Se estiver com fome, vale à pena aceitar o couvert, composto de bons pães, azeite, flor de sal, manteiga e uma ótima coalhada caseira.
Destaque 2: Um dos poucos restaurantes brasileiros que publicam o cardápio com preços no site.
Nota: 8

Jantar:

Gazpacho transparente -  Estava bom. Não costumo reclamar da quantidade do prato, mas dessa vez estranhei o tamanho da "porção" dessa entrada, que veio em uma xicará média de café, literalmente.
Salada de camarão com chips de batata doce, laranja e vinagrete de cítricos - Perfeita harmonia entre a acidez do molho, a gordura do chips e o camarão.
Galinhada com arroz de pequi - Uma coxa e uma sobrecoxa que desmanchavam na boca. O arroz, muito bem perfumado pelo Pequi, cujas características eu desconhecia completamente. No ótimo blog Come-se, há uma boa descrição do Pequi, aqui.
Espaguete com costela desfiada, farinha de pão de ervas e alho assado -  Estranhei a "farinha" de pão, que estava mais para croutons. O prato é simples e gostoso, não tão marcante como a galinhada.
  
Sagú de cupuaçu e creme de chocolate branco - Surpreendente! O sabor marcante do cupuaçu com um toque doce suave do chocolate. Não conheço as sobremesas do cardápio normal, mas não há motivos para não incluir esta.
Trio de doces brasileiros e fromage blanc - Não agradou muito. O trio era composto de doce de abóbora, goiabada e doce de leite. O papel do "fromage blanc" não ficou claro para mim. Pensei que seria um substituto do queijo minas, que cairia muito bem, mas o queijo, apesar de gostoso, era azedo e brigava muito com o trio.

Resumindo, com certeza voltarei ao restaurante para experimentar outros pratos do cardápio. A experiência me deixou curioso.

Dois Cozinha Contemporânea
Rua Antônio Bicudo 116, Pinheiros.